Você não é o que você come – Você é muito mais do que isso!

Florianópolis

Você não é o que você come – Você é muito mais do que isso!

Alan Levinovitz, em seu livro “A mentira do Glúten”, coloca que alguns povos acreditam que adquirem características dos animais que consumem (Por exemplo, dizem que olhos de tigre melhoram a visão, pênis de tigre traz virilidade, pata de urso traz força). É a tradução literal da frase “Você é o que você come”. E apesar de não pensarmos nessa frase de forma tão literal e acharmos essa forma de pensar até estranha, muitas das nossas crenças disfuncionais em relação a alimentação estão baseadas nessa frase. Acreditar que ao comer gordura você se tornará gordo, é uma dessas crenças, por exemplo. 

Mas qual é o problema de acreditarmos que somos o que comemos? Bom, além de na maioria das vezes essa frase não ser verdadeira, ela também é problemática por abrir uma brecha para o discurso moral relacionado a alimentação e para a gordofobia. É por causa desse discurso moral que muitas pessoas sentem vergonha ou culpa ao comer certos alimentos, e orgulho quando consomem outros. Se sentem pessoas melhores quando comem tudo “certinho”. E isso pode levar a um comer transtornado, pois esses sentimentos e pensamentos em relação a comida não devem fazer parte de uma alimentação saudável. Como eu sempre digo, se alimentação saudável adoecer sua mente, ela não é saudável. 

E esse julgamento moral dos alimentos pode levar a gordofobia. Pessoas gordas geralmente são associadas a fracasso, preguiça e infelicidade, enquanto se associa felicidade, sucesso, disposição e beleza as pessoas magras (e isso é uma forma de gordofobia). Se acreditamos que somos o que comemos, e desejamos ter sucesso, felicidade, disposição e beleza, também acreditamos que não podemos comer o que pessoas gordas comem, pois esses alimentos seriam “engordativos” e estariam associados a características contrárias as que queremos adquirir.  Faça o teste você mesmo: O que você acredita que pessoas gordas comem? E pessoas magras? Se sua resposta é semelhante a figura abaixo (e imagino que isso irá acontecer com a maioria das pessoas que lerem esse post), é porque a crença do “Você é o que você come” está muito enraizada na sua mente.

Essa imagem é uma imagem bastante gordofóbica, que ilustra bem a frase “você é o que você come”. Ela é gordofóbica justamente por assumir que pessoas gordas comem apenas alimentos palatáveis, gordurosos e calóricos, enquanto pessoas magras comem apenas alimentos in natura, com pouca gordura e poucas calorias. Mas será que pessoas gordas só consomem pizza, hamburguer, refrigerante, etc? E pessoas magras consomem apenas frutas e vegetais? Não consomem pizza e hambúrguer também? Se você parar pra refletir e observar, vai ver que tanto pessoas magras quanto gordas comem os dois tipos de alimentos, e não é isso que define se elas serão gordas ou magras.

Não se preocupe se você acreditou nessa imagem ou se percebeu que teve pensamentos gordofóbicos durante a sua vida. A gordofobia está tão enraizada que muitas vezes a reproduzimos sem refletir sobre ela. Mas trazer nossos pensamentos automáticos pra consciência é o primeiro passo para diminuirmos ou acabarmos com nossos preconceitos. 

Ninguém é melhor ou pior como resultado daquilo que come. O que nos define como pessoas são os nossos princípios, valores, nossa ética perante a sociedade, o respeito ao próximo e tantas outras coisas que nada tem a ver com comida. Se você se sente um(a) criminoso(a) por comer determinados alimentos, procure ajuda profissional! Isso não é normal nem saudável e você não precisa se sentir assim.

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