Vicejar e não apenas sobreviver

Florianópolis

Vicejar e não apenas sobreviver

No Conto do Livro Mulheres que correm com os Lobos – Cap. 6 – A Procura da nossa turma: A sensação da integração como uma benção – O Patinho Feio: a descoberta daquilo a que pertencemos, nos impacta com o dilema da rejeição à criança diferente. Em muitas estórias familiares e culturais, existe a normatização da rejeição as diversidades, e o que predomina geralmente é a aceitação do que já é esperado e aceito, e dos constructos comum dos meios sociais e culturais. Muitas vezes, as crianças são rejeitadas em grupos de colegas, ou até pela família, porque não estão correspondendo às expectativas das pessoas ao redor. Muitas vezes as mães tentam defender os seus filhos, e protegê-los dos preconceitos, mas se a força da Mulher selvagem não está presente nesta mãe, muitas vezes ambivalente e prostrada; esta vai desistindo de confrontar o mundo, e desiste de defender o seu filho. Neste momento, a mãe real perde o sentido de si mesma, e se desconecta com a força arquetípica da Grande Mãe. Esta mãe real, prostrada, é vencida pelo medo de ser rejeitada pela comunidade. Este medo muitas vezes, é um reflexo das suas antepassadas, que por séculos foram controladas e reprimidas, e foram induzidas a sua dicotomia e ambivalência: optaram por serem aceitas ou seriam consideradas estranhas e rebeldes. Esta questão está por detrás da legitimação do casamento, pois por gerações muitas mulheres acreditaram que seriam salvas ao aceitarem seu papel de esposas e boas mães. Elas foram coniventes com as crenças de que o ser humano pudesse ser aceitável, com a validação última de um homem, em gênero. Para estas mulheres, que estão dentro do constructo de prostradas, existe a dicotomia em
relação as exigências exteriores e as exigências da alma, pois há uma indecisão quanto ao seu verdadeiro valor. Neste caso, o processo de cura seria levantar-se, erguer-se da submissão e sair a procura do lugar a que pertencem. Muitas mulheres que tiveram mães prostradas, devem cortar os laços com outras mães prostradas. Nos Rituais antigos, de passagem, Benção do útero, a comunidade, e as mulheres se reuniam e conseguiam despertar a benção da Mulher Selvagem. E quando a mulher era tocada por esta benção, ela se fortalecia e conseguia canalizar seus instintos para a sua prole. As anciãs de muitas tribos e culturas eram as guardiãs desta sabedoria, e passavam as benções de forma natural e espontânea. E nos nossos tempos modernos, como o processo de gestação, parto, e todos os procedimentos médicos, muitas mulheres sofrem com o isolamento. Diversas mulheres saem dos hospitais solitárias, e são mães separadas da sua própria vida instintiva. Acabam cuidando dos seus filhos de forma automática, sem o universo selvagem para nortearem seus passos. Muitas mulheres vivem no papel de Mães-crianças, imaturas quanto a sua maternidade. Frágeis pela sua desconexão de si mesma e da força arquetípica, acabam em grande maioria não possuindo uma identidade bem definida, e necessitam com urgência irem em busca do seu “Self perdido”. O patinho feio, no Conto, foge também da sua mãe prostrada, e vai em busca de seus semelhantes. Ele enfrenta várias hostilidades neste percurso: busca lugares onde possa repousar, e seres para lhe apoiar. Mas como uma Síndrome já instalada, vai batendo durante muito tempo em portas erradas, sendo recusado e rejeitado. O personagem, e o significado simbólico do patinho feio nos ensina como devemos despertar nossos instintos de sobrevivência, para superarmos a reação ao isolamento e buscar o amor em lugares errados. Muitas pessoas sofrem neste percurso: com muitas frustrações descobrem que o retorno ao amor próprio só será possível se encontrarem o Amor em sua própria Alma. No final do conto, o patinho feio é reconhecido pelo grupo de cisnes, trazendo à tona, a estória de muitas mulheres exiladas que necessitam da Irmandade como cura das suas feridas. No conto, a luz essencial de sabedoria da Clarissa Pinkola Estes, é de que quando a mulher aceita a sua beleza selvagem, a sua beleza única e genuína, é quando finalmente encontra a paz e a verdadeira integração.

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