O QUE SÃO OS ARQUÉTIPOS DAS DEUSAS…

Florianópolis

O QUE SÃO OS ARQUÉTIPOS DAS DEUSAS…

E COMO PODEM AJUDAR AS MULHERES ATRAVÉS DO AUTOCONHECIMENTO E RECONHECIMENTO DE SI MESMAS

 

Os mitos foram sendo transmitidos através dos tempos explicitando grandes dilemas da raça humana. Algumas características como Agressividade, Amor, Maternidade, Paternidade, Trabalho, Guerra, podem ser analisados nas características dos deuses. A Mitologia Grega é muito antiga, entretanto, a mais conhecida no Ocidente. Para tal, será abordado as sete deusas gregas de maior impacto em nossa sociedade pós-moderna, com todos os papéis dos quais as mulheres as representam.
Jung chamou de Arquétipo a imagem primordial e típica, que percebemos em cada um dos deuses e deusas gregas. Preconiza que armazenamos dentro de nós em estado puro, chamadas memórias arquetípicas.

Os deuses neste sentido, são considerados atemporais como os arquétipos.Um Mito é considerado um Sonho do qual nos reelembramos, até mesmo quando não é compreendido, pois simbolicamente é importante. Segundo Joseph Campbell : Sonho é mito personalizado; mito é um sonho despersonalizado. Existem Mitos e Contos de fadas que são expressões arquetípicas,  e individuais; já os conteúdos que não são individuais, estão compreendidos no Inconsciente Coletivo. Os Arquétipos são atemporais, e influenciam as forças interiores, muitas vezes personificadas pelas Deusas e Deuses.

Os estereótipos seriam as forças exteriores, impulsos coletivos culturais, e todos os papéis das quais a sociedade espera que as mulheres exerçam.
Quando um homem vive e expressa com mais freqüência seu espírito guerreiro, como que colecionando conquistas – sejam profissionais ou pessoais – vive para“conquistar” e nunca aprofunda suas relações, são indícios de que este homem personifica o Deus Marte, Deus da Guerra.
E aquela mulher, por exemplo, que está sempre preocupada com a estética, em estar sempre bonita e sempre seduzindo –e paralelamente nenhum de seus relacionamentos segue em frente, muitas vezes projetando a culpa no homem,na maioria dos casos, a mulher expressa e vive o arquétipo e estereótipo da Deusa Afrodite. Estes dois arquétipos citados, são insistentemente estimulados em nossa sociedade, razão talvez pela qual seja tão difícil fazer perdurar um relacionamento amoroso.
A abordagem psicológica através dos mitos nos permite reconhecer em nós mesmos os padrões emocionais e de comportamento difundidos através dos séculos. O mito serve como elemento de orientação: Quem eu sou no mundo? Quais são meus maiores desejos? A que papel como mulher me dedico mais? Jung, estudioso da mente humana, criador da Psicologia Analítica concebe o mito como “verdade profunda de nossa mente”. Quando um Mito é interpretado, a nível intelectual ou intuitivamente, isto pode resultar em um nova compreensão ou até mesmo um novo insight.

DEUSA por outro lado, foi sempre representada através dos séculos por elementos da natureza: o Sol, as estrelas, a lua, o mar… Ela é a força multifacetada que representa a Grande Mãe e faz a vida desabrochar e foi considerada a própria natureza. A ancestral feminina pode ser Donzela, Mãe, Guerreira, Anciã, Sábia, etc. Após muitos séculos de esquecimento, a Grande Mãe está retornando. Apesar de sempre ter estado presente, na alma do nosso planeta, na sabedoria oculta do nosso Eu interior, e na chama dos nossos corações.  Podemos constatar, que fomos nós que nos distanciamos dela, renegando-a e negando a presença do Sagrado Feminino em nossas vidas. A Grande Mãe representa a totalidade da criação e a unidade em nossa vida, ela existe e reside em todos os seres vivos e em todo o universo, ela é intrínseca à força da vida, e a todos os ciclos da natureza, como em todos os processos da criação.

 

 

 Os estudos das antigas culturas e mitologias nos mostram que existe a interpretação da Grande Mãe como sendo uma Deusa Tríplice, que foi baseada nos ciclos das fases da Lua. 

Havendo uma compreensão abrangente das múltiplas qualidades e atributos do Sagrado Feminino. O número três tem um significado sagrado se nos reportamos à antiga Babilônia, simbolizando nascimento, vida e morte, início, meio e fim, infância, idade adulta e velhice; ou ainda, corpo, mente e espírito. No entanto, a simbologia da Deusa não é uma estrutura paralela ao simbolismo do Deus Pai. A Deusa não rege o mundo, mas ela é o próprio mundo! Ela é manifestada em cada um de nós, e pode ser percebida interiormente em cada ser vivo com sua magnífica diversidade.

Nos antigos símbolos, encontramos a imanência e permanência da Deusa, tais como: a terra, a lua, o ovo cósmico, o uroboros (serpente mordendo sua calda, ou a espiral ou labirinto).

A Lua é o símbolo do princípio feminino, representando potencialidades, estado de alma, valores do inconsciente, humores e emoções, receptividade e fertilidade, mutação e transformação.  As fases da lua representam aspectos da natureza feminina e todos os estágios e transformações na vida da mulher.

  O primeiro conceito de divindade foi expresso por nossos ancestrais na forma da Grande Mãe Geradora, Nutridora e Sustentadora de todos os seres. Apesar da ausência de registros, escritos, existe impressionantes esculturas, gravações e ruínas paleolíticas, que nos comprovam que realmente existiu uma Cosmologia centrada na mulher: Origem e Força da vida. Seus atributos de fertilidade e abundância permaneceram nas estatuetas de Deusas grávidas e nas inúmeras Deusas com características zoomórficas, mostrando sua relação com todos os seres e seus filhos de criação. A Deusa foi à suprema divindade do nosso planeta durante cerca de 30.000 anos, reverenciada e conhecida sob inúmeras manifestações e nomes, conforme o lugar e período de seu culto. Suas inúmeras qualidades e atributos foram descritos em todas as culturas, originando as Lendas e Mitos, que demonstraram a diversidade das deusas, que confirmam serem aspectos de uma única divindade: A Grande Mãe.

As sociedades que eram focadas na Deusa e no seu culto, eram consideradas Matrifocais e pacíficas, baseavam-se no respeito à terra, à mulher e às crianças, e viveram de acordo e em respeito aos ciclos da natureza. Porém, se sabe, que com a mudança das sociedades agrícolas e matrifocais, para as civilizações tecnológicas e patriarcais, a Deusa passou a ter outras faces, dentre elas, passou a ser: consorte, filha, concubina, amante, etc… Que foram trazidos pelos povos guerreiros e conquistadores, já de outro paradigma político e cultural.  O mundo e as civilizações foram se tornando diferente, foi sendo perdido o sentido de equilíbrio entre as polaridades, e o Feminino passou a ser subjugado e dominado, e o Masculino passou a prevalecer nos últimos quatro mil anos, perpetuando conceitos  dualistas e criando assim uma cisão na totalidade humana e consequentemente, o desequilíbrio no planeta.

Na atualidade, avançada tecnologicamente,mas, com a ausência da totalidade do sagrado feminino, podemos comprovar que já existe um imenso desequilíbrio no ser humano, em todos os níveis: físico, mental, emocional e espiritual.  Notadamente visto na Grande Mãe, Gaia, com a poluição, e vasta degradação e destruição no planeja. Gerando uma grande necessidade de nutrir e ser nutrido; amar e ser amado, a necessidade última de um retorno a harmonia perdida.

Neste momento crítico do planeta, é de extrema relevância o retorno da Grande Mãe, amorosa e protetora, e que poderá favorecer todos os meios para que haja uma restauração em toda a sua criação, e restabelecimento do equilíbrio, da paz e da harmonia individual, global, e planetária.

Para vislumbrarmos e encontrarmos a Grande Mãe, precisamos apenas abrir as nossas mentes, e descartar todos os preconceitos e os condicionamentos sócio-culturais do patriarcado e assim, criar um novo espaço sagrado, em nosso coração e em nossas vidas.

Observando as imagens das Deusas, entrarmos em contato com  lendas e mitos, descobrirmos e praticarmos rituais, são apenas algumas das maneiras de trazer de volta, o retorno essencial em nossas consciências, do antigo poder e valor intrínseco ao Sagrado Feminino.

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