Muitas vezes você se sente um desconhecido de si mesmo, sem saber o por quê de determinada decisão, sentimento, ou razão?

Florianópolis

Muitas vezes você se sente um desconhecido de si mesmo, sem saber o por quê de determinada decisão, sentimento, ou razão?

E se nos comparássemos como uma Esfinge, como metáfora?

Seremos capazes de buscar a nossa identidade, e retirar o nosso véu do desconhecido?

Podemos buscar os nossos próprios Mistérios?

No Mito antigo da Esfinge, o Homem é representada por três animais: a Água, o Leão e o Boi. Fazendo uma analogia a nossa estrutura psíquica, podemos inferir que a Águia, o Leão e o Boi são os nossos núcleos estruturantes; e que encontro de ambos, representaria o nosso equilíbrio, e a integração de todas as nossas partes.

Se a luz que brilha em mim é reflexo desta estrutura que absorve a luz do universo; quais as luzes me iluminam?

Decifra-me ou te devoro, disse a Esfinge a Édipo, sem sombra de piedade. Ele a enfrentou de pronto, com a valentia tebana que o imbuía desde a infância. Filho de Laio e de Jocasta, Édipo perdeu-se em Corinto, ficando para trás por conta de seus pés machucados. Mas ele cresceu e a vida o levou ao Oráculo, que revelou o seu infortúnio (mataria seu próprio pai, e com ele toda a autoridade externa a ele mesmo).

Porque temos que deixar nossos pais para trás e empreender a Jornada do Herói em busca da sabedoria e da paz? Pois somente por este caminho, encontramos a nossa individualidade, e autenticidade, e assim somos a nossa própria humanidade. Durante este árduo percurso, de buscarmos as nossas verdades, somos levados a romper com o que representa em nós, nosso pai e nossa mãe. Simbolicamente matamos o nosso pai, e casamos com a nossa mãe; internamente significa relacionar-se apenas com as partes que fazem sentido para a nossa totalidade, ou ficarmos apenas com as referências, os modelos, os valores, ou qualquer que seja os comportamentos paternos, apenas aqueles que nos fazem saudáveis e felizes.

Édipo desconhecia o jogo dos Deuses no céu. Pensava ser senhor de si ao fugir de si. Rumando diretamente para o desconhecido, encontra o presente dos deuses, o seu próprio pai. “É neste nó que existe o encontro entre os eus que se manifestam de vários modos”. Este nó poderia ser o mosaico do que achamos que somos, do que gostaríamos de ser e do que somos pela reprodução da nossa ancestralidade.

Édipo mata o pai e se casa com a mãe.  No entanto, ao descobrir que ainda não se afastara do enraizamento demasiado forte com seus ancestrais, fura os seus olhos, não para se punir ou por se culpar, mas apenas não lhe restava mais nada de bom para ver, porque não teve a coragem de seguir sozinho. A cegueira foi necessária ao Herói de Tebas para penetrar no conhecimento metafísico entre o finito e o infinito.

No nosso processo de amadurecimento necessitamos tomar consciência de nossa cegueira, do que é comum em nosso cotidiano, e precisamos perceber o que está além do nosso campo de visão, sermos o Herói de nosso propósito maior.

Muitas vezes necessitamos buscar este auto-conhecimento, seja através de um processo de psicoterapia, seja por iniciarmos a nossa Jornada interior através de um objetivo, de uma escolha ou um caminho que almejamos alcançar ou realizar.

Mediante os infortúnios de Édipo, tem-se o conhecimento imediato da condição do mundo. O herói morre porque é finito, efêmero, impotente. A vida de Édipo é a reprodução do nascimento e perecimento, vida e morte, criar e destruir, o movimento do vir-a-ser e de todos os ciclos.

Neste sentido, todos nós estamos sempre nos renovando, nos transformando em algo diferente.

Assim, caminhemos pela metáfora novamente, como um segredo que será revelado, ao ver na esfinge um caminho para o verdadeiramente humano!

A esfinge é comumente associada como uma metáfora do ser humano, por causa de sua forma: abdômen de Boi, tórax de Leão, cabeça de Águia.

Abdômen de boi: Passividade e a vida instintiva.

Tórax de leão: Passionalidade e a vida emocional.

Cabeça/asas de águia: Valores sociais, regras e a vida mental.

O ser humano é a junção destas três instâncias psíquicas. Através desta analogia simbólica, podemos analisar as nossas próprias expressões e gestos.

Nem sempre somos conscientes de nós mesmos no momento presente, e por vezes, esquecemos do que fomos no passado, e a névoa de quem somos permanece diante dos nossos olhos.  

Necessitamos entender, ouvir, sentir, compreender, dialogar com os nossos instintos, com as nossas emoções e a nossa razão. Assim, nos encontraremos novamente!

Aqui vai um desafio para o leitor, decifre a sua própria esfinge!

Vença o medo da Imortalidade, e seja fiel ao seu próprio caminho!

 

Autora: Janaína Leopardi

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