Bullying e as Manifestações da Violência

Florianópolis

Bullying e as Manifestações da Violência

O que era no passado casos isolados e pouco discutidos, atualmente recebe o nome de bullying. Apesar de hoje estarmos familiarizados e o próprio termo está em uso do cotidiano, afim de não banalizarmos este ato, vale lembrar que o bullying é caracterizado pelos seguintes critérios: a intencionalidade do comportamento, ou seja, tem como objetivo provocar mal- estar e consequentemente ganhar controle sobre a outra pessoa. Este comportamento é repetidamente e ao longo do tempo, isto é, não ocorre isoladamente e nem ocasionalmente. Um desiquilíbrio de poder é encontrado no centro da dinâmica do bullying, onde normalmente os agressores vêem suas vítimas como um alvo fácil.
Estudos em vários países revelam que os comportamentos de bullying são comuns e que pelo menos 15% dos estudantes na escola estão envolvidos nesse comportamento.
Um exemplo dos efeitos nocivos desse fenômeno foi a tragédia na Columbine High School, em 1999, que pelo grande destaque na mídia passou-se a investigar com mais atenção esse fenômeno. Dias atrás presenciamos nos noticiários de todo o país a tragédia na cidade de Suzano interior de São Paulo, que resultou na morte de várias crianças. A violência tomou outra proporção nas mãos de jovens e crianças, temos um discurso dentro e fora das escolas que legitima a violência que se ancora no discurso na cultura atual e que tem tomado proporções nefastas. A violência tem crescido num ritmo acelerado.
E é quando tragédias desta proporção acontecem, percebe-se o quanto é mais do que urgente e necessário intervir e repensar a nossa relação com o outro. O Bullying é um dos fenômenos de uma cadeia sistêmica de uma violência legítima e danosa. Seja dentro das escolas , onde o fenômeno tende estar mais visível, mas diz respeito a todo contexto social. Deste modo, o bullying pode estar presente nas relações de modo explícito, mas também sutilmente podendo ser confundido com aquelas brincaderinhas típicas da idade.
Alguns estudiosos do assunto apostam na qualidade da relação professor-aluno para combater o bullying escolar. Outra alternativa é incluir o tema no conteúdo escolar. É claro que, a violência envolve uma complexidade de fatores, não podendo ser analisada de forma simples e reducionista. Assim como os professores não devem ser os únicos responsáveis por intervir nesse assunto, agressores não podem ser os únicos responsáveis pelos atos de violência, uma vez que eles também são frutos dela.
Deste modo pensar em saídas possíveis é justamente ir na contramão naquilo que quando vivemos o acontecimento imaginamos medidas pontuais para impedir ou exterminar o agressor. Mas, isso é justamente fechar os olhos para as discussões complexas e contraditórias da sociedade humana que acaba por ser varrida para debaixo do tapete. Apostar em mudanças, sobretudo em mudanças de discurso. Não de modo punitivo mas reeducativo.
Nos concentramos em achar um algoz imaginário e esquecemos dos impasses reais. No Brasil vivemos em uma escalada de violência devastadora, alavancada por um discurso. Mas sempre nos surpreendemos. Acontecimentos desta natureza nos causa medo, mal- estar e desconforto. Porém a violência é anterior as passagens ao ato. Não é preciso experienciar atos brutais de violência gratuita para compreendermos que é preciso mudar o discurso sobre a violência. E como parte de uma sociedade humana somos todos responsáveis por esse processo.

Caliandra Naiara Maiochi
CRP: 12.17838
Email: calicabral@gmail.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Open chat