AS DEUSAS RELACIONADAS A CADA FASE DA VIDA DA MULHER

Florianópolis

AS DEUSAS RELACIONADAS A CADA FASE DA VIDA DA MULHER

Avaliando a essência feminina em várias culturas, sabemos que as Deusas mitológicas relacionaram-se com os próprios ciclos de vida das mulheres.

A primeira face da Deusa é a Donzela, mas que apenas Virgem e Ninfa, representa a juventude, a vitalidade, início da criação e potencial de crescimento. Corresponde à fase da lua nova e crescente, portanto simbolicamente é  a semente do vir a ser. Dentre as deusas gregas e romanasrepresentativas da Face Donzela, temos: Ártemis ou Diana, Héstia ou Vesta, Perséfone ou Coré. Constatamos que todas as atividades que são favorecidas por estas Deusas, e a fase lunar correspondente são relacionadas a novos inícios, seja em projetos ou em empreendimentos, seja em grandes mudanças, ou aindaem viagens.

O segundo aspecto é o da Mãe sendo a mais acessível para a humanidade e mais fácil de ser reconhecida. Representada pela Lua cheia, está ligada à imagem maternal da Deusa, e contempla a mulher em toda sua plenitude, como em todo amadurecimento, e  de todas as coisas, e reconhecida no ponto culminante de todos os ciclos e à semente germinada e à plenitude do caldeirão. As Deusasque são representadas pelo aspecto da mãe na mitologia grega e romana: Deméter ou Ceres. Os aspectos da Mãe são variáveis e refletem suas propriedades criadoras e nutridoras, como também a sua fertilidade e flexibilidade, e todo o seu lado guerreiro e justiceiro, um amor irrestrito.

O terceiro aspecto da Deusa é a face Anciã, que corresponde à fase da lua minguante e lua negra, sendo temido e muito pouco compreendido. Fase chamada de Mãe Escura ou terrível, maga ou bruxa. Corresponde ao lado obscuro e desconhecido do princípio feminino, demonstrando ao mesmo tempo luz e sombra, bem e mal; positivo e negativo. Considerado, portanto, a representação do declínio de todas as coisas e da diminuição da força vital, ligada ao envelhecimento, e fim do ciclo, e por fim, ao recolhimento e  espera por um novo ciclo. É por meio da Anciã que aprendemos a canalizar a energia para nosso crescimento espiritual e a finalizar um ciclo. Encontrando um modo de nos reciclar e esperar que a Donzela possa iniciar uma nova fase, para nosso crescimento e evolução. A Anciã se funde com a Mãe e a Donzela, e cria assim um ciclo continuo, com a essência completa da Grande Mãe.

 A energia livre da criança que se afirma com no período da adolescência é reconhecida pelo aspecto da Deusa jovem que reconhece em si a força vital, em um ritmo e mecanismo de contração e expansão, que permeia a si mesma e ao mundo. Quando uma deusa ancestral tem em si características intrínsecas, como por exemplo: Cuidadora, geradora e mantenedora da subsistência de seus filhos, com doação e instinto maternal profundos; estamos então diante da figura da Deusa Mãe. Na busca do mantenimento da vida, da subsistência e do poder, da auto-afirmação e da segurança, encontramos o aspecto da Deusa Guerreira. E no aspecto da Deusa Anciã, encontramos a sabedoria e os segredos da Humanidade, aquela que é a bruxa, e Velha Sábia.

   Em todas as mulheres, existe a presença da Deusa em suas múltiplas faces. Na Sociedade Moderna, elas estão trabalhando, estudando, criando filhos, cuidando de sua beleza, ou cuidando de suas famílias. E em todas as mulheres, encontramos as “chagas das Deusas”, que são feridas resultantes da opressão e educação familiar patriarcal e autoritária.

Resultado no mundo contemporâneo é o encontro da menos valia atribuída aos aspectos femininos, que foi sendo perpetuado ao longo dos tempos, e que repercute nos dias atuais, em todos os papéis ditos femininos. Apesar de observarmos a luta de igualdade frente aos homens, principalmente no mercado de trabalho, as mulheres exprimem a necessidade de maior reconhecimento. E para se protegerem das agressões decorrentes da falta de reconhecimento, opressão e até mesmo violência psicológica e psíquica; as mulheres acabaram se contraindo no que resultou nas doenças emocionais e somáticas, na consequente falta de prazer ou ausência de capacidade para o prazer e para as atividades criativas.

O autoconhecimento e encontro de todas as  características das faces das Deusas, como o reconhecimento das imensas potencialidades e atributos destas, poderão servir de meio para que toda mulher encontre o seu processo de cura emocional e corporal.

   Cada arquétipo possui características distintas, podendo ser valoradas em positivas e negativas, e das quais estão expressas na vida de todas as mulheres. Podemos possuir vários arquétipos em nossa personalidade, sempre se sobressaindo uns sobre os outros. No entanto, o objetivo maior de conhecermos e analisarmos as influências das deusas em nossa personalidade, é a possibilidade de nos entregarmos ao autoconhecimento e entrarmos em contato com nossas potencialidades e com todos os aspectos que necessitam serem ainda desenvolvidos.

A neurose, ou doença emocional é entendida pela  perpetuação de estereótipos distorcidos e consequentemente a polarização de determinados arquétipos da Deusa. A saúde consiste em transitar por todos eles, integrá-los, de maneira que a vida posso se fazer fluir com criatividade e prazer.

Hesíodo (700a.C) em Teogonia, faz um estudo da Descendência dos Deuses. E relata que ao início havia o Caos, ponto incial. Depois veio Géia (Terra), o Escuro Tártaro (Ínfimas profundezas da Terra) e Eros (O Amor). Géia deu à luz um filho, Urano, conhecido como Céu. Casa-se com Urano e cria os doze titãs conhecidos. Tais Titãs fazem parte da antiga Dinastia de Deuses, seriam os Avós e pais dos Deuses Olímpicos.

Urano representa a primeira figura de pai, ou primeiro patriarca na Mitologia Grega. Este fica ressentido com seus filhos concebidos por Géia, que entrega todos os filhos novamente ao seio materno, causando dor à Géia. Ela então apela à seus filhos Titãs para que a ajudassem. Todos com medo de interferir, exceto o mais Jovem, Crono (Saturno). Crono com a foicinha entregue por Géia, corta os órgãos genitais de seu pai e atira-os ao mar. Crono então, torna-se o Deus mais poderoso do sexo masculino.  Crono e os outros Titãs reinaram sobre o Universo e criaram novas Divindades.

Crono uniu-se a Réia, irmã titãnida, nascendo a primeira geração de Deuses Olímpicos: Héstia, Deméter, Hera, Posídon e Zeus.

O progenitor novamente tenta matar seus filhos com medo de ser suplantado. Engole todas as crianças imediatamente após o nascimento. Devorou três filhas: Hera, Deméter e Hera, e dois filhos: Zeus e Posídon. Mas abalada pelo destino de seus filhos, Réia ainda Grávida apela a Géia e Urano, para ajudar a salvar o último dos filhos e punir Crono por ter castrado seu pai Urano, e engolido seus filhos. Acabam tramando à Cronos, e solicitam que fossem até a Ilha de Creta, e embrulhassem uma pedra em fraldas. Cronos engole a pedra, pensando ser um de seus filhos. Esta última criança é Zeus, que em segredo engana o pai, fazendo Crono vomitar todos os filhos engolidos. Zeus entra em luta prolongada com Crono e os titãs, e ao final vence colocando os titãs no calabouço de Tártaro.

Após a derrota, os três irmãos tiram a sorte e dividem o Universo entre si: Zeus ganhou o Céu, Posídon o Mar, e Hades o Inferno. Já as três irmãs não teriam direito a propriedade, conforme leis patriarcais. Das ligações sexuais de Zeus, temos as gerações de divindades: Ártemis e Apolo filhos de Zeus com a Leto, Atena filha de Zeus com Métis, Perséfone filha de Zeus com Deméter, Hermes filho de Zeus com Maia. Já Hefesto, Deus da Forja, e Ares o Deus da Guerra seriam os filhos legítimos de Zeus e Hera. Afrodite teria versões distintas quanto a sua origem, em uma delas seria filha de Zeus e uma mortal Dione.

MarijaGimbutas, uma arqueóloga preconiza em seus estudos a existência há 5000 anos atrás da existência da cultura matrifocal, cultura baseada na veneração da Grande Mãe. Cultura pacata, sedentária, ligada às artes, celebrava a Terra e o Mar. Foi sendo destruída e conquistada pela infiltração de povos seminômades, povos distantes do Norte e Leste da Velha Europa. Tais invasões trouxeram a cultura patrifocal, a partir dos Guerreiros. Nesta época a paternidade não era incubida no pensamento religioso, não havendo Deuses do Sexo Masculino.  As invasões foram acontecendo entre 4.500 a 2.400 a.C, sendo as Deusas incorporadas nas religiões dos invasores. Impuseram sua religião Bélica e cultura patriarcal. A Grande Deusa torna-se a consorte serviçal dos deuses invasores. E tais atributos e poderes pertencentes à deusa, foram espalhados e atribuídos aos deuses. Os heróis apareceram matando serpentes, símbolos da Grande Mãe.

Assim sendo, na psique das mulheres, as Deusas Gregas seriam forças menos poderosas que as da Grande mãe, mas representariam os principais padrões arquetípicos das mulheres. Afrodite, Deméter e Hera tem o máximo poder de ditar o comportamento. São mais intimamente ligadas à Grande Mãe. Afrodite teria o legado da Grande Mãe representado pela Fertilidade, Deméter teria o legado da Deusa Mãe, representando as forças instintivas na psique, e já Hera o aspecto da Rainha do Céu. Ártemis, Atenas e Perséfone, são pertencentes à geração de filhas. Influenciam principalmente os padrões de caráter. Héstia a mais velha, e mais sábia, evitava o poder. Representa o componente espiritual que uma mulher honra em sua vida.

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