A Mulher Madura, Auto-estima e Jornada Arquetípica

Florianópolis

A Mulher Madura, Auto-estima e Jornada Arquetípica

A Benção
“Nós temos uma antiga benção de família: Quem ainda estiver acordado ao final
de uma noite de histórias sem dúvida irá se tornar a pessoa mais sábia do
Mundo… Assim seja para vocês… Assim seja para todos nós!”
Nos tempos atuais se falarmos em Jornada Arquetípica, estaremos nos referindo
também a Mitos antigos, já que a própria história da Humanidade nos remete à
figuras mitológicas que são eternas e perpassam o Tempo. O que faz um
Arquétipo ressurgir na atualidade?
O poder do arquétipo está justamente no fato deste ser uma espécie de
mensageiro, e de conter em si mesmo o poder simbólico oculto e atemporal.
Podemos compreender que a imagem que o representa, a sua forma, foi se
modificando ao longo do tempo e historicamente influenciado pelas diversas
culturas, cujo nome é diferente para culturas diferente; cuja essência modificada
e alterada de acordo com os valores culturais de cada época. No entanto, o
contato com o Arquétipo, sua essência primordial, pode ser para nós um gatilho
de transformação, e promotor de mudanças comportamentais. Segundo Jung,
ao termos contato com o Arquétipo, algo é revelado e vivenciado algo pela nossa
estrutura psíquica, O Self (totalidade da Psique) é expandida, e neste Processo
denominado Individuação, nos comunicamos ao Inconsciente Coletivo.
Acredito que muitas mulheres estejam vivendo a Jornada Arquetípica quando
almejam a preservação de sua Auto-imagem, e se determinam a adentrar no

caminho do Auto-conhecimento, decididas acima de tudo a lapidarem o seu Ego.
Consequentemente já maduras para lidar com o rompimento de padrões muito
antigos, e perpetuados através do Sistema Patriarcal trazendo à superfície o
Arquétipo da Mulher Selvagem! Esta essência do Selvagem, transpassa,
culturas, sombras, luzes e figuras mitológicas! Sobrevive no Tempo e no Espaço
pois vive entre nós, armazenado simbolicamente como nossos “ossos
ancestrais”, são nossas as nossas raízes, trazem à superfície o esqueleto da
forma humana.
O Arquétipo quando emerge à superfície, através de uma imagem simbólica
conduz conteúdos muito profundos, que estão além do próprio significado da
forma, das cores, ou ainda traços, pois que o Arquétipo contêm em si mesmo
uma força poderosa, sem nenhuma finalidade material. Eu arriscaria dizer, que
o Arquétipo é um meio de alcançarmos o Divino! No Arquétipo, que pode ser a
imagem de uma Deusa, Deus, fada, Bruxa, ou quaisquer imagens que estejam
veiculadas através dos tempos e da cultura, pode ser considerado uma Obra de

Arte. E se pensamos que o próprio criador cria a imagem, e ele pode interpretá-
la como quiser, assim o Arquétipo, da mesma forma que a Arte, sujeita-se na

cultura a diversas interpretações. Atravessa a percepção sensorial da visão, e é
interpretado primeiramente aos olhos do Ego. Em muitos casos, o arquétipo após
experenciado, sofre deturpações, e interpretações de forma restrita e ingênua, e
consecutivamente, torna-se um Estereótipo! Neste sentido, torna-se mais
limitador, aliando-se ao “Ego”, ao invés de exercer a sua função libertadora e de
conexão ao Self.
Através do Arquétipo, nos libertamos da forma, no Estereótipo nos prendemos a
ela! O conceito de Auto-imagem está diretamente atrelado aos Arquétipos e
Estereótipos, somos desde pequenas mulheres vulneráveis em relação as
referências externas, e que nos tornam quem somos!
Eu diria que quando a Mulher Madura se lança na Jornada da Heroína, na
Jornada Arquetípica, busca o tesouro da sua própria verdade, do seu próprio
Mito Pessoal!
Na Jornada Arquetípica a Mulher desperta, e reencontra as memórias de sua
ancestralidade. Sua Estrutura Psíquica, seu Ego é desmascarado, sendo a
Persona e própria máscara, é tocado, e afetado pela forma propulsora de
mudança, e neste sentido será novamente moldado a partir da sua interação
entre Self e Mundo, Organismo e Meio. Nossa Auto-imagem, nossa Persona, foi
sendo construída a partir de valores externos e impostos pela cultura, família; e
que são introjetados pelo Ego já nas primeiras referências de vir-a-ser, a partir
do Nascimento e interação do Organismo (parte) com o mundo (todo).
Complexa esta Jornada, não é mesmo? O que a torna complexa são os próprios
mecanismos Egóicos, pois esta Estrutura psíquica nos interrompe e não
acessamos naturalmente o fluxo saudável de irmos ao encontro das nossas
próprias verdades, não alcançamos mais espontaneamente os nossos desejos
mais íntimos, e seguimos no emaranhado dos Complexos do nosso Ego, nos
perdendo em Essência no grande Labirinto dos Estereótipos.
Quero acreditar que muitas mulheres despertam! Que ao iniciarmos esta
Jornada arquetípica trazemos as nossas heroínas! E que todas nós, indiferente
de idade, cor, fase cíclica, podemos resgatar a Mulher Selvagem! Somos as
heroínas do Sistema Patriarcal!
A verdadeira Heroína não quer brilhar e chamar atenção na versão Egóica
comum, ela quer brilhar quando contempla e aceita todas as suas irmãs, colegas,

filhas, e respeita todas as mulheres que vieram antes, as suas ancestrais em
vida.
Ao compreendermos que a nossa Auto-imagem e a nossa Auto-estima estão em
Ressonância ao aspecto mais profundo e arcaico do Feminino, a Maternidade.
Aceitando profundamente o Arquétipo da mãe, reverenciando os nossos
Antepassados, somos capazes de nos nutrirmos com o Poder do Arquétipo,
honramos a referência mais sagrada do Feminino em Nós, o Arquétipo da
Grande Mãe! Porém, somente nos libertaremos das Sombras coletivas quando
alcançamos a saída do Labirinto. No Mito do Minotauro, nos conectamos ao Fio
de Ariadne, que é o nosso próprio coração, nosso Chackra cardíaco que pulsa,
vibra e nos traz o desejo de sermos plenas, de sermos amadas e desejadas.
Através do Fio de Ariadne, desta Heroína Mitológica, nos fortalecermos em
nossas próprias raízes femininas, e integrarmos Luz e Sombra de nossas
Ancestrais. Saímos do Labirinto pois permitimos que o herói Perseu mate o
Minotauro e nos conduz através deste fio para a saída dos nossos Complexos.
Neste sentido, eu arriscaria a dizer, que devemos honrar também o aspecto
masculino em nós, nosso Animus, nossas referências ancestrais masculinas,
nos integrando à ela, abraçando o masculino, e permitindo através da nossa
Energia Nutridora, sustentarmos o Fio deste labirinto, que em termos históricos
representa todo o Constructo do Sistema Patriarcal.
A Jornada da Heroína começa quando deixamos de lado tudo o que não nos
serve mais, deixamos as velhas referências e valores como se fossem roupas
que ficaram apertadas durante a Jornada, rompemos com padrões familiares
que não desejamos repetir ou perpetuar, e só assim matamos simbolicamente o
Minotauro! Neste exato momento, ao matarmos o Monstro mitológico, deixamos
ir todas as partes sombrias e dolorosas de nós mesmas, transformamos todas
as partes do nosso ser que nos impulsionam para a Morte (Thanathos) e não
para a Vida (Eros). E assim, nos conectamos ao Ciclo Feminino: Vida, Morte e
Renascimento.
Neste sentido, matar simbolicamente o Minotauro, muitas vezes é árduo e
doloroso. Necessitando da maioria das Mulheres muita coragem e Autenticidade
durante esta Jornada! Quando realmente decidimos deixar morrer todas as
referências que nos impediram de crescer como Mulheres Maduras, que nos
tornaram prisioneiras de “Modelos” (estereótipos) esperados e aceitos
socialmente, aceitando a condição da “domesticação” do Feminino,
conseguimos por fim, romper com toda essa estrutura. Não é fácil, mas é
possível!
Este percurso interno é a própria Jornada da Heroína, é o encontro com a própria
Autenticidade!
Durante este percurso nós mulheres nos conectamos com o Poder da Heroína,
pois emerge da superfície, nos trazendo concomitantemente a segurança e
atributos do Arquétipo da Guerreira, ela se torna a nossa aliada; e deste Poder
resgatado em nós, encontramos a paz e a segurança de Sermos Únicas!
Jamais siga um estereótipo, pois ele te levará a ruína! Ele te fará ser o que você
não é de fato! Seja você mesma e faça a sua própria Jornada Arquetípica!
Entenda que ao aceitar a Jornada, você estará fortalecendo a sua Auto-Estima!
No mundo contemporâneo a mulher que possui uma Auto-estima elevada,
dificilmente será manipulada e domesticada, pois no fundo desejamos o retorno
da Mulher Selvagem! A Mulher Madura aliada ao arquétipo da Mulher Selvagem
adquiriu a Sabedoria de dizer não; ela percebe seus próprios limites, pois tem os

sentidos aguçados. No encontro da Autenticidade e resgate da Auto-estima, a
mulher não permanece mais vulnerável ao Modelos impostos exteriormente, e
nem fica prisioneira de um cultura que não integra as suas polaridades: luz e
sombra; Feminino e Masculino, ela sabe que deve resgatar os seus próprios
princípios! Não minta mais para você mesma! Seja honesta com os seus desejos
e aceite que a Maturidade é o começo da libertação!
A mulher Madura é a protagonista da sua vida assim como nos lendários contos
de fadas e mitos; devemos continuar a lutar e a viver mesmo que a bruxa
malvada venha nos visitar e esteja atrás de nós para nos ameaçar (nossa própria
Sombra). A mulher Madura sabe dizer não à maçã envenenada! Ela sabe
enfrentar a Babayaga nos Contos infantis, e encarar a sua própria Sombra!
“Viver as mudanças ajuda a reconhecer que somos seres com desejos. Trata-se
de um grande desafio, porque as mulheres transitam pela vida a serviço das
necessidades dos demais, e assim, tomam como seus os sonhos que não lhes
pertencem. Têm dificuldade em saber o que querem realmente”. (Marisa
Sanabria)
Confio na Mulher Madura, no Portal de Consciência que se abre após o Rito de
Passagem do Climatério até a Menopausa! Este processo de amadurecimento
e contato com o Arquétipo da Anciã, nos traz o contato com a Mulher Selvagem!
Desta nova fase de vida, a Mulher contempla os seus desejos mais profundos,
momento de sacodir o Esqueleto e nos engajar à ações mais prazerosas e
autênticas na nossa vida. Acredito que mesmo com todos os medos que
enfrentamos nesta Jornada, todos nos servirão para ganharmos mais força e
motivação!
Quando fazemos as pazes com a nossa Auto-imagem ao longo da nossa vida,
conseguirmos aceitar de fato o processo de envelhecimento, e a entrada da
menopausa e seus desafios são mais leves. Deixamos de sangrar, enfrentarmos
este luto do poder cíclico em nós, e nossa Fertilidade é desviada para a Vida
prática!
Por experiência pessoal, quando chegamos aos 40, logo em seguida a
perspectiva de irmos aos 50 e aos 60; geralmente é assustador! Sabemos que
a Maturidade psicológica é alcançada quando emerge de nós mesmas o
Arquétipo da Velha Sábia, no nosso Inconsciente (pessoal e coletivo). Este
arquétipo permite que a Mente tome consciência, seja mais lúcida, se engane
menos com aspectos mundanos. Aspiramos como Mulheres Maduras nos
conectarmos com o Sagrado Feminino, somos Mulheres sedentas de água e
sangue vital; buscamos em fases anteriores novas óticas e perspectivas, e ao
passarmos para a Fase Anciã, assumimos a Mulher Madura em nós, exigimos
renovação da nossa Persona!
Os ânimos e angústias se acalmam ao assumirmos a Mulher Madura, pois não
perdemos a juventude, ao contrário, ganhamos um tesouro com a maturidade!
Somamos a nós e em torno de nós, aspectos de segurança, de liberdade, e
sabemos exatamente como buscar o prazer!

Valores são repensados nesta fase de vida, nossas forças instintivas são
canalizadas, e assim a beleza e autonomia da Mulher Loba é despertada! Surge
no brilho dos nossos olhos, na forma como nos expressamos, no perfume que
exalamos de nossa Essência, pela nossa pele e através dos nossos poros ela
vive! Com um novo perfume que nos pertence, com os novos sentidos que
resgatamos, nos tornamos a Mulher Madura e uivamos para o Mundo!
Nesta nova fase, enfrentamos todos os medos, tabus, e preconceitos que foram
vinculados à velhice e a menopausa, pois a partir do contato com o Arquétipo da
Anciã entramos no turbilhão e descamação da antiga pele, (processo da
menopausa) tenhamos coragem! Como uma espécie de portal, podemos ter a
resiliência necessária para promover as nossas próprias mudanças, aceitar os
nossos Ciclos que virão. Existe a mudança cíclica, não sangramos mais e não
somos mais férteis biologicamente a ponto de gerarmos a Vida. No entanto, o
cálice de Sabedoria vira-se para cima, somos conectadas com a Divindade e
Ancestralidade e novos ciclos de vida, morte e renascimento ressurgem nos
conectando à poderes cósmicos e nos integrando ao Arquétipo Primordial da
Grande Mãe.
Mulheres, não se desesperem! A Maturidade nos permite fazer as pazes consigo
mesmas! A luz da nossa Imagem é revelada no nosso corpo, na nossa mente e
no nosso espírito!

A todo momento, a todo instante temos a capacidade de resgatarmos a Auto-
imagem e Auto-estima, pois sabemos pela experiência vivida, transitarmos entre

os Mundos, objetivo\subjetivo, consciente\inconsciente, vida\morte. Nos é
permitido sempre iniciarmos a trajetória da Heroína, quantas vezes for
necessário… Atravessando todos os portais e deixando cair todos os véus!
Ao despertarmos para esta nova fase adquirimos sabedoria!
O cálice de comunhão com o Universo é aberto e somos fortalecidas com o
Arquétipo da Anciã, da Velha Sábia!
A Maturidade é um momento de reformular propósitos, mudar atitudes e
repensar novos projetos. Momento único para nos desapegarmos de todas as
expectativas sociais e externas, de todas as solicitações familiares, e
renascermos das cinzas, é possível que algum fragmento de nosso Ego se
rompa! Que assim seja! Surgem novos papéis que poderão ser desempenhados
com mais Saúde e Prazer, abandone todas as máscaras que te aprisionam!
Somos capazes de abandonar os medos antigos e todas as apreensões quanto
ao futuro, tais como:
– Preocupação comum sobre o que os outros vão achar de mim;
– Deixar de ser boazinha;
– Abandonar os fantasmas de uma velhice solitária, sem utilidade, sem valor;
– Medo da rejeição e abandono

Ter medo da velhice é algo que perturba a mente, a confiança e a Auto-estima
de todas as mulheres. Ele está lá no porão do nosso inconsciente, em um quarto
escuro da nossa Psique.
Recebemos informações negativas da Cultura e Sociedade que deturparam o
arquétipo de Afrodite (Deusa Grega do Amor, da Beleza e da Sexualidade). Nos
meios de comunicação, a mulher contemporânea é bombardeada de
informações e modelos estéticos e seguimos o estereótipo da Juventude eterna

e do Amor romântico. Nos sentimos pressionadas a nos encaixar ao molde pré-
estabelecido, com hábitos, costumes e valores pré-determinados. A nossa face

Menina começa a ser contaminada, crianças são despertadas sexualmente de
modo precoce, a menarca não é mais visto como um Rito de Passagem e o
Sangue da Deusa não é honrado. Na face Donzela, somos em grande maioria
educadas e doutrinada, privadas de desabrocharmos uma sexualidade,
sensualidade e criatividade espontânea. Crescemos e nos desenvolvemos para
atrairmos e seduzirmos os homens; nos tornamos objetos sexuais, nos
submetendo ao prazer masculino em detrimento de nosso próprio orgasmo.
Imaginem que este Arquétipo possa abrir portais de cura, Eros será libertado, e
encontraremos a nossa beleza legítima, o nosso Amor-próprio. Podemos destruir
em nós toda a estrutura rígida de modelos perpetuados em nossa cultura.
Através do desenvolvimento científico e tecnológico, criamos meios artificiais
para tratar o corpo e congelar a beleza, totalmente congelados em Valores
estéticos restritos: inventamos o excesso de maquiagem, a pintura nas unhas e
rosto, a tonificação dos cabelos, a cobertura dos cabelos brancos, criamos
diversas roupas e acessórios atraentes; maculamos o próprio corpo Sagrado da
Deusa, com o advento da cirurgia plástica. Nas primeiras fases de vida, de
Menina até alcançarmos a Fase Donzela, somos ensinadas a sermos a
“bonequinha” do papai e somos doutrinadas a nos vestirmos para agradar os
outros. Estamos em uma cultura que nos faz acreditar que já adolescentes
somos autoras da sedução feminina, e que devemos aprender a proporcionar
prazer aos homens, nos tornamos vítimas de uma Sociedade doente e
acabamos ocupando o lugar de “objetos de prazer”.
Mulher Madura acorda! Desperte de sua inocência! Conheça o seu próprio
circuito de prazer! Saibas que és, e sempre serás digna e merecedora de todo
prazer! Eros vive em suas células, penetra o seu corpo e templo sagrado, ele é
seu filho e aliado mais secreto para teres uma vida plena de prazer!
Muitas vezes a moda também impõe cores, texturas, e formas para satisfazer a
imaginação do homem. A mulher Madura distante da ditadura do olhar
masculino, aprende a cuidar do seu corpo, não mais como um objeto de
mercado, submetido a prostituição da imagem, (como dizia Baudelaire), mas
possui a consciência de seu templo sagrado: do seu espaço pessoal. Saberemos
colocar limites que nos agridam, pois contamos com nossa alma instintiva. O
Mercado capitalista, legitimou, segundo Baudelaire, a imagem do corpo feminino
como um objeto e compra e venda.

Imaginemos uma donzela rebelde, que gosta de soltar os cabelos e mostrar as
garras da Mulher Selvagem? (Linguagem usada por Clarissa Pinkola Èstes, em
Mulheres que Correm com os Lobos). Esta donzela rebelde, está longe de ser
acolhida, muito menos aceita facilmente; o caminho da Autenticidade é árduo e
muitas vezes ao tentarmos libertar a Mulher Selvagem sofremos preconceitos;
sabemos que durante milênios fomos taxadas de puta ou tidas como bruxas.
O que quero apontar até aqui é que infelizmente o despertar da Donzela esteve
por muito tempo vulnerável a esta ditadura de beleza artificial, que pela minha
compreensão a torna escrava do Sistema. Não quero dizer que não seja
importante o Auto-cuidado, ou de que não devemos nos importar com a nossa
Auto-imagem; mas que em nossa cultura atual necessitamos de modo visceral
termos mais liberdade de expressão!
Como seria mais leve se desde a nossa infância buscássemos a beleza interior,
e que a expressão externa, nossa Auto-imagem, fosse reflexo da nossa alma e
não da nossa Persona. Talvez seríamos mais seguras com o que somos e não
mais com o que temos, e a relação com o nosso corpo se tornaria realmente
sagrada.
Ao negligenciarmos esta ferida do Feminino, chegamos cambaleantes aos
quarenta anos de idade e na fase Anciã tentamos driblar desesperadamente
todas as rugas, marcas de expressão, escondemos os cabelos branco e todas
as cicatrizes do nosso corpo não são bem-vindas. Ouvimos muitas lamentações
de mulheres maduras que são submissas à esta ditadura da Beleza: a unha está
quebrada, meu dente está amarelo, meu cabelo está seco e branco, minha pela
tem manchas e rugas… e aí não acaba… esta insatisfação e repúdio com o corpo
geralmente estão atrelados à velhice, temos que superar e deixar para trás este
Modelo perpétuo de Donzela! Existe a Morte simbólica de uma roupa que não
nos serve mais!
Mesmo que os hormônios nos apontem de que estamos nos modificando
naturalmente, de que nosso metabolismo está nos conduzindo a outro Ritmo
biológico, a cultura que nos circunda nos faz crer que é um pesadelo esta fase.
A grande maioria das mulheres nega esta Fase, em um movimento contínuo e
obsessivo de retorno à fases anteriores de sua vida! A Mulheres Maduras
passam por uma grande crise de identidade: por isso precisamos nos libertar da
“Ditadura da Beleza”! Só assim seremos plenas e felizes!
A Maturidade nos traz certezas e muitas possibilidades novas, mas também traz
à tona a dor de escolhas erradas. A Maturidade nos coloca frente a frente com o
que não se encaixa mais, com as roupas “sujas” e inadequadas que continuamos
a usar, podemos lavar todas elas e esterilizar todos os julgamentos e falsas
impressões. Nos damos conta da dor provocada por todas as distorções sofridas
em nossa própria Auto-imagem.
Deixe o Ego sucumbir! Liberte-se!
A Maturidade é um marco e pode ser um grito de liberdade!

Precisamos olhar o feminino pleno e não machucado. A mulher que deixa de ser
apenas um objeto, percebe que com o seu novo brilho é adorada por todos que
a rodeia e é novamente admirada – quando assume a sua própria beleza e ganha
Amor-próprio!
Encontrar os traços de beleza na mulher madura é uma das pérolas mais lindas
no ciclo da vida: é se orgulhar da maturidade, da sabedoria, da confiança, da
amorosidade, da sexualidade sem pudores, perdermos a vergonha do sexo
aposto e buscamos nosso próprio prazer; contemplamos um orgasmo pleno.
Quando existe aceitação, retomamos o brilho pessoal e genuíno! Esta é a maior
pérola – sermos nós mesmas!
É verdade que existe o fantasma de uma velhice solitária, nos moldes patriarcais
e machistas, que ainda perpetuam eternamente os estereótipos de Afrodite, na
face feminina. Não nos enganemos, as faces do feminino estão além do brilho e
estereótipo de Afrodite! Que sejamos capazes de não nos iludirmos mais com o
medo de não sermos mais belas e boas mães para os nossos homens; devemos
nos libertar destas amarras!
Que sejamos capazes de não nos corrompermos mais com os valores patriarcais
e passarmos a ser protagonistas das nossas próprias vidas e escolhas!
Aceitar a maturidade é saber que seremos capazes de nos cuidarmos sozinhas,
capazes de sermos fortes e independentes, e que se confiarmos em nós
mesmas, teremos amor, abundância e tudo que desejarmos! Podemos ter tudo
ao sermos seguras de quem somos!
Podemos ser vaidosas e cuidarmos do nosso templo, mas não devemos
sucumbir aos padrões patriarcais. Não devemos mais carregar em nosso ventre
todos preconceitos e autojulgamentos hostis em relação à nossa Auto-imagem
– isto é profanar o nosso Templo, que é Sagrado.
A Verdade é que devemos aprender a honrar o próprio corpo como templo
sagrado e buscarmos a felicidade e satisfação em nós mesmas, para então
saber dosar e dedicar um tempo saudável para a nossa própria beleza.
E dessa forma, conseguiremos uma abertura a quaisquer movimentos da vida e
uma maior fluidez na dança com o próprio corpo.
Seremos as Deusas para nós mesmas!
Acredito que em nossas próprias curvas e em nossos próprios ossos, podemos
ver a beleza de quem somos! Acredite! Supere com alegria a ponte que a conduz
da face mãe para a face Anciã! O arquétipo da Anciã lhe impulsiona a atravessar
para o outro lado do rio – lhe fazendo dar as mãos à Mulher Sábia!

Psicóloga Clínica, Gineterapeuta e Docente da Pós graduação Instituto Atitude
Ahimsa e Gineterapia
Terapeuta holística: Janaina Leopardi

Núcleo de Psicologia
Alecrim Espaço Terapêutico

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