Sobre o Mito do Amor Romântico

Florianópolis

Sobre o Mito do Amor Romântico

O amor romântico povoa as mentalidades do Ocidente desde o século XII. Esse tipo de amor é regido pela impossibilidade, pela interdição, e caracteriza-se pela idealização do outro. Somos tão condicionados a desejar vive-lo que é comum se falar de amor como se ele nunca mudasse.

A fusão proposta pelo amor romântico é extremamente sedutora. A grande maioria das pessoas acredita que não há remédio melhor para o nosso desamparo do que a sensação de nos completarmos na relação com outra pessoa. 

O Amor Romântico é construído em torno das projeções e da idealização sobrea imagem, em vez de sobre a realidade. A pessoa amada não é percebida com clareza, mas através de uma névoa que distorce  o real. 

Inegavelmente, o amor romântico tem seu próprio tipo de excitação, temporária por natureza. Enquanto estamos apaixonados por alguém, o mundo se reveste de tamanho significado que a cada encontro somos transportados para fora da realidade e cria-se um estado de exaltação. 

As características do amor romântico são inconfundíveis. O êxtase e a agonia que nos causam tornam a vida emocionante, nos dando uma sensação de transcendência. Para se manter nesse estado de plenitude, homens e mulheres exigem coisas impossíveis de seus relacionamentos: nós realmente acreditamos inconscientemente que o outro tem a obrigação de nos manter sempre felizes, de tornar nossa vida significativa, vibrante, plena de encanto. Mas, quando nos desapaixonamos, o mundo instantaneamente parece desolado e vazio, apesar de, em alguns casos, continuarmos ao lado da mesma pessoa que antes nos proporcionava tanta felicidade.

Estamos presos a crença que o amor romântico é o amor verdadeiro. Isso gera muita infelicidade e frustração na vida das pessoas, impedindo-as de experimentar uma relação amorosa autêntica. Quando ocorre o desencanto, percebemos que o outro é um ser humano e não uma personificação de nossas fantasias, nos ressentimos e reagimos como se tivesse ocorrido uma desgraça. Geralmente culpamos o outro. Nós precisamos modificar nossa própria atitudes inconscientes – as expectativas que alimentamos e as exigências que impomos aos nossos relacionamentos. 

Isso parece impossível porque o mito do amor romântico lança um encanto sobre nós no que diz respeito ao amor, o que explica o fato de, após cada decepção, juntarmos nossa energias e partirmos em busca de outra parceria que nos permita viver novamente essa exaltação. 

O mito do amor romântico não passa de uma mentira porque mente sobre os homens e mulheres e mente sobre o amor. Além de mentir que o amor dura para sempre, o mito também exclui o conflito e a discórdia. A promessas fraudulenta de ausência de dificuldade gera não o amor, mas a deterioração da saúde mental. Também exclui o tedio causado pela convivência continua, afetiva e sexual com uma única pessoa.

Muitos autores são bem incisivos: quando se pensa em estar loucamente apaixonado, podemos ver sob dois aspectos: como um privilegio (o que a maioria faz), ou como o empobrecimento de uma mente obcecada por uma única imagem.  

O surgimento da ideia do amor romântico, fazendo parte de uma relação estável e duradoura, tem de ser compreendida em relação a vários conjuntos de influências que afetaram as pessoas.

Fabiana Battisti

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